Ok, estamos em semana de Grenal e o GUM não passa em branco, já que este é um dos clássicos do futebol brasileiro e uma das (senão a) maiores rivalidades do país. Já falei do Inter aqui e do quanto espero que o colorado mude sua postura para vencer mais um Grenal. Mas e o Grêmio?
Cara, esse é um desafio imenso. Escrever algo do time da Azenha que não seja replicar aqui uma das canções que grito na Popular durante os jogos com palavras nada elogiosas ao co-irmão é uma dura tarefa. No entanto, não poderia somente falar mal do rival quando sua campanha é a melhor do returno do Brasileirão e, ainda por cima, tem o artilheiro isolado da competição. Tudo bem que o Grêmio atual não é nem de longe um grande time, aliás, faz tempo que não vejo um vestindo azul, preto e branco.
O Grêmio me lembra muito a Laura, minha vizinha. Nenhuma mulher tem uma bunda tão grande quanto a dela na cidade. Grande demais. Não apenas as ancas, mas todo o resto também. Pensa numa mulher gorda. A Laura é mais. Durante o sexo, imagino que ela nunca consiga posições mais verticais ou por cima, dado que as chances de sufocar o cara seriam imensas. Não bastasse tudo isso, é o tipo de figura que só desfila na nossa rua com aquelas roupas marcadas, de tons vibrantes da moda ginástica, que invadiu as ruas e sempre tem marcas do tipo: rola moça, ralação, rala bela e por aí vai.
Acontece que a Laura deve ralar e rolar muito mesmo. Ela troca de namorado constantemente (não fica mais de três semanas solteira) e os caras que chegam ali para buscá-la, em sua grande maioria, são atraentes, com pinta de bem sucedidos, trabalhadores – porque cortam até a grama do jardim da casa dela e recolhem o cocô do seu poodle irritante –, além de não parecerem totalmente desprovidos de inteligência pelo que eu e toda a ala feminina da rua pudemos observar.
Já me passou pela cabeça muitas vezes que os caras devem ter algum defeito grave, como um chulé insuportável, incontinência de peidos – se é que existe isso –, um pênis fino demais, alguma coisa tem que ter, pois nem grana a Laura ostenta para sustentar os caras.
Ela me lembra muito a Preta Gil, não somente pelo porte físico, mas por sempre estar namorando e com caras bonitões. Porém, a Preta Gil tem o atenuante da fama e do dinheiro que aumentam a autoestima e a pegada de todo mundo. A Laura não. Ela não tem grana e sua fama não ultrapassa muito os limites da Rua Coronel Genuíno.
Então, o que a Laura tem? A mesma coisa que o Grêmio. AUTOCONFIANÇA. Essa palavrinha que a Wikipédia apresenta como “a convicção que uma pessoa tem, de ser capaz de fazer ou realizar alguma coisa”. A Laura se acha capaz e vive baseada em premissas que têm um ar de autoajuda: autoestima e autoaceitação. Eu, do fundo do meu coração colorado, não simpatizo em nada com o Renato Portaluppi, só que não posso deixar de admitir que ele sempre teve autoestima elevada e isso acabou contagiando os demais jogadores.
A partir do momento em que você passa a aceitar-se como é (árdua tarefa), passa também a conhecer suas limitações, identificando quais os pontos altos que são mais importantes de serem trabalhados do que os negativos. E assim, a Laura capricha no rebolado e em outras coisitas mais que eu não consegui identificar, fazendo com que os caras queiram experimentar uns tapões (quiçá teria que ser chineladas) na sua bunda. O Grêmio, por sua vez, começa a alçar bolas na área; arriscar chutes de longa distância e sem muito ângulo, mas que podem resultar em gols. Ambos têm demonstrado aquela vontade de ganhar, de mostrar que podem se superar e equilibrar com as/os tops do mercado.
Foi preciso um Grenal para eu entender que minha antipatia pela Laura não era gratuita… E que venha o clássico que a gente comenta depois.

