Trabalho com comunicação já faz um tempinho. E longe de puxar a brasa para o meu assado, cada vez mais percebo que o marketing pode nos dar boas lições. Não somente na área profissional para conquistar, fidelizar clientes e aumentar nosso faturamento. Já dizia a frase clichê que “a propaganda é a alma do negócio”.
Lendo um artigo sobre a relação do marketing com os clientes me deparei com um trecho que falava do momento em que determinado cliente já não é mais interessante ser mantido. Quem viveu mais de quinze anos, pelos menos, percebeu que todo carnaval tem seu fim.
No texto, o autor citava que no mercado, de forma usual, não se termina com o cliente simplesmente. É prática comum parar de atender certas expectativas antes de romper a relação. Aquele cliente já não está mais dando lucro e tem sérios problemas com os quais você cansou de lidar. Mas e daí? Daí que no mundo da publicidade você não chega e diz pra ele que não quer mais atendê-lo. Leva-se em conta tudo que já foi feito juntos, os momentos bons e os difíceis que, nessa hora, ganham um peso maior.
Sabe o que dizia no artigo ser prática comum na área? Passar a diminuir as entregas, aumentar as exigências, o custo. Todas essas coisas acabam por fazer com que ele resolva o problema por você e procure outro fornecedor, rompendo a relação.
Não é que muitos homens fazem igual? Começam a esquecer coisas importantes, não se fazem tão presentes, cobram mais por coisas cada vez menores. Meninos parecem não ter sido preparados para terminar uma relação. Olha que até acharia válida a queima de algumas próteses de silicone em praça pública pedindo que isso fosse matéria escolar. Poderia ser um bom começo.
Amigo, tudo nessa vida possui um prazo de validade. A própria vida está aí para provar. Vamos além de aceitar isso, saber externalizar?
Ok, se você não tem mesmo coragem de dizer ao vivo e a cores que é a melhor e mais digna forma, escreva um post it e cole no espelho do banheiro, mande um e-mail, coloque um vídeo no Youtube e mande o link (não precisa exagerar, a menos que você queira tentar a sorte como celebridade instantânea da internet). Faça alguma coisa, mas, por favor, faça.
Nós mulheres somos complicadas, choronas e impusemos uma cultura do medo de um chilique eminente nos homens. Fique sabendo que você pode nos ajudar a aprender a ouvir um não. Mais do que isso, no fundo nós sabemos ouvir um não. E ele é muito mais justo do que um talvez, ou uma transferência de responsabilidade.
Se não aceitarmos, procuraremos uma mãe de santo, o colo das nossas amigas, vários caras aleatórios para provar que somos gostosas e conhecemos mais do que a posição do papai e mamãe… Poderemos até incomodar vocês um pouquinho, mas em geral assimilamos.
O que acho uma puta sacanagem é o cara começar a forçar a barra para a garota terminar. Não seja cagão, meu amigo. Não faça com os outros o que não quer que façam com você. E não nos deixem na dúvida, não testem nossa inteligência e paciência, sumindo quando forem comprar cigarros, Digam: Acabou! Pode doer um pouquinho, mas não mata.
Ou então, façam como no marketing e sigam esperando que a gente encontre outro fornecedor que esteja interessado em nossa conta e valorize nossa marca mesmo com os aspectos a melhorar que o mercado aponta. Está na hora dos homens serem menos reticências e mais ponto final.

